Automedicação guiada pela internet pode mascarar doenças, alertam especialistas

Médico de emergência explica quais sintomas exigem procurar atendimento imediato.

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Automedicação guiada pela internet pode mascarar doenças, alertam especialistas
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O fácil acesso à informação transformou a internet em uma das primeiras fontes de consulta sobre saúde. Dores de cabeça, febre, alergias ou desconfortos comuns frequentemente levam os pacientes a procurar orientações online antes mesmo de considerar uma avaliação médica.
No entanto, nem sempre essas informações são confiáveis ou seguras. Em muitos casos, a interpretação equivocada de sintomas pode levar à automedicação, além de atrasar diagnósticos ou agravar quadros que demandam assistência imediata.
Uma pesquisa do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade, em parceria com o Datafolha, aponta que cerca de 86% dos brasileiros admitem utilizar medicamentos sem prescrição. O levantamento também mostra que muitos recorrem à internet para conseguir orientações sobre sintomas e tratamentos.    

Para o médico Dr. Bruno Caldas, coordenador da CER Ilha, unidade de emergência do Hospital Municipal Evandro Freire, no Rio de Janeiro, pesquisas online podem até contribuir na disseminação de informações, mas não substituem a avaliação profissional. Segundo ele, um dos principais riscos é a falsa sensação de segurança gerada por conteúdos simplificados ou descontextualizados.
“Muitos pacientes chegam à emergência depois de dias tentando tratar sintomas por conta própria porque encontraram algum conteúdo na internet sugerindo um diagnóstico ou medicamento. Em alguns casos, isso pode mascarar doenças mais graves ou retardar intervenções que deveriam ter sido feitas mais cedo.”

Automedicação pode esconder sinais importantes
Analgésicos, anti-inflamatórios e antialérgicos são frequentemente utilizados sem orientação profissional e com base em recomendações encontradas online.
Embora pareça inofensiva, a prática interfere na evolução de uma doença e dificulta a identificação de sintomas. Anti-inflamatórios, por exemplo, podem agravar infecções ou aumentar o risco de sangramentos em determinados contextos. Já o uso inadequado de antibióticos contribui para a resistência bacteriana, um problema de saúde pública reconhecido mundialmente.
“As pessoas tendem a subestimar os riscos de remédios considerados comuns. Mas a combinação inadequada de medicamentos ou o uso em doses erradas pode provocar intoxicações, reações adversas ou complicações clínicas”, alerta Dr. Bruno.

Alergias graves exigem atendimento imediato
Reações alérgicas também evoluem rapidamente e exigem assistência emergencial. Em alguns casos, o quadro se manifesta como anafilaxia, uma resposta alérgica intensa que precisa de intervenção imediata.    
Entre os principais sintomas estão inchaço nos lábios ou na garganta, dificuldade para respirar, queda de pressão, tontura intensa e urticária generalizada. Para o especialista, esperar a melhora espontânea ou tentar novas medicações em casa aumenta os riscos.
“Reações alérgicas graves evoluem em poucos minutos. O tratamento precisa ser rápido e realizado em ambiente adequado, com monitoramento e medicações específicas”, explica.

Nem todo sintoma é emergência, mas alguns não podem esperar
A dúvida sobre quando procurar um pronto atendimento é comum, mas alguns sinais indicam que a avaliação médica não deve ser adiada, como: dor no peito, dificuldade para respirar, confusão mental, desmaios, febre persistente, reações alérgicas     , vômitos repetidos ou dores intensas que não melhoram com medidas simples.
“A emergência existe justamente para atender quadros que representam risco imediato ou potencial à saúde. Reconhecer esses sinais é fundamental para evitar complicações”, esclarece.

Informação confiável ainda é a melhor prevenção
Para o especialista, a recomendação é buscar sempre fontes confiáveis e profissionais qualificados para não transformar conteúdos em diagnóstico.    
“A internet pode ajudar a      esclarecer dúvidas, mas ela não substitui a avaliação médica. Cada paciente tem um histórico clínico, condições e características próprias que precisam ser consideradas antes de qualquer tratamento”, afirma.
Em caso de sintomas persistentes, agravamento do quadro ou sinais de alerta, a indicação é procurar      uma unidade de saúde.      
“Quando existe dúvida entre esperar ou procurar ajuda, o mais prudente é buscar orientação profissional. Na medicina, muitas vezes o fator tempo faz diferença no resultado do tratamento”, finaliza.

Sobre o Hospital Municipal Evandro Freire
O Hospital Municipal Evandro Freire, localizado na zona Norte do Rio de Janeiro, é um complexo hospitalar gerenciado pelo CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. 

Sobre o CEJAM      
O CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos. Fundada em 1991, a Instituição atua em parceria com o poder público no gerenciamento de serviços e programas de saúde em São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Osasco, Campinas, Carapicuíba, Barueri, Franco da Rocha, Guarulhos, Santos, São Roque, Lins, Assis, Ferraz de Vasconcelos, Pariquera-Açu, Itapevi, Peruíbe e São José dos Campos.  
A organização faz parte do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), e tem a missão de ser instrumento transformador da vida das pessoas por meio de ações de promoção, prevenção e assistência à saúde.  
O CEJAM é considerado uma Instituição de excelência no apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS), tendo conquistado, em 2025, a certificação Great Place to Work. O seu nome é uma homenagem ao Dr. João Amorim, médico obstetra e um dos fundadores da Instituição.   
Neste ano, a organização lança a campanha CEJAM 2026: respeito à vida, respeito ao planeta. 365 dias cuidando do presente, transformando o futuro! 
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VIVIAN FIORIO
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