Espetáculo para bebês é inspirado na arqueóloga Niède Guidon
RUPESTRE – o que a terra conta, da 2 Mililitros Cia. Teatral, convida bebês a escutar as histórias guardadas no chão do Brasil
Crédito Mariah Bittar
A terra tem memória. E, em RUPESTRE – o que a terra conta, ela ganha corpo, som, textura e movimento para dialogar com quem está começando a descobrir o mundo. Novo espetáculo da 2 Mililitros Cia. Teatral, voltado para bebês de até três anos, a montagem estreia dando continuidade à pesquisa continuada do grupo em criações para a primeira infância e encerra uma trilogia inspirada nos elementos da natureza. As apresentações acontecem de 21 a 29 de março, aos sábados e domingos, às 15h, no Sesc 14 Bis. Desta vez, o ponto de partida é a trajetória da arqueóloga Niède Guidon e as pinturas rupestres do Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí, um dos mais importantes sítios arqueológicos do mundo. Reconhecida internacionalmente, Niède dedicou sua vida à preservação e ao estudo das marcas deixadas por povos ancestrais nas rochas da região, contribuindo de forma decisiva para a compreensão da presença humana nas Américas. É dessa escuta atenta às camadas do tempo que nasce a poética do espetáculo. Com direção e dramaturgia de Júlia Mariano e Thiane Lavrador, que também estão em cena, RUPESTRE – o que a terra conta não se propõe a narrar uma biografia ou explicar conceitos arqueológicos. O desafio é outro: transformar memória ancestral em linguagem sensível. “Nosso grande desafio artístico é transformar qualquer tema em linguagem poética. O espectador não deve esperar uma narrativa linear que vá ‘contar uma história’, mas sim uma criação inspirada por essas fontes”, afirma Júlia. Paisagem sensorial A montagem parte de uma forte pesquisa corporal e imagética. Movimentos inspirados nas formas da arte rupestre se combinam a diferentes materialidades e sonoridades, criando uma paisagem sensorial que envolve o público. O cenário criado por Lorenza Gioppo propõe uma verdadeira imersão: 56 almofadas de diversos tamanhos, cinco tapetes e uma árvore de 1,80m transformam o espaço à escala dos pequenos espectadores. Para quem mede até um metro de altura, a experiência é monumental. Os figurinos assinados por Karine Lopes, com técnicas mistas e predominância de tingimento natural, dialogam com a terra e suas texturas. A trilha sonora original de Igor Souza e o desenho de luz de Ariel Rodrigues – pensado como elemento estrutural da cena – ajudam a criar atmosferas que evocam transformações da paisagem. “Temos uma cena em que luz e som remetem à transformação da paisagem do sertão. Isso não precisa ser dito literalmente. Para nós é isso que quer dizer, mas cada pessoa vai construir sua própria interpretação. Essa é a beleza do teatro”, comenta Thiane. Desde 2017, a 2 Mililitros Cia. Teatral desenvolve uma pesquisa dedicada à primeira infância. Em trabalhos anteriores, como Os Céus e Suas Histórias e Pororoca, o grupo investigou os astros e as águas, sempre conectando natureza e figuras femininas de relevância histórica ou simbólica. Em RUPESTRE – o que a terra conta, a terra fecha o ciclo. Bebês são pesquisadores natos O processo de criação incluiu uma residência artística junto ao Coletivo Antônia, em Brasília, no âmbito do LAB POPI (Laboratório de Poéticas Cênicas para Primeira Infância). A experiência deu às artistas a segurança para dividir as funções de atuação, direção e dramaturgia. “Ideias, temos muitas. O desafio é transformá-las em cena. Estar em cena e na direção exige paciência e artesania. É um tempo de maturação que acaba ditando o ritmo do espetáculo”, reflete Thiane. Em cena, os bebês são tratados como pesquisadores natos. A lógica é a da descoberta compartilhada. Cada sessão é única, atravessada pelas reações, silêncios, movimentos e curiosidades dos pequenos. Não há um momento específico de interação: ela acontece organicamente, na escuta e na atenção. Serviço: RUPESTRE – o que a terra conta Com a 2 Mililitros Cia. Teatral 21 a 29 de março, sábados e domingos, 15h. Sesc 14 Bis – Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – Bela Vista, São Paulo. Livre (recomendado para crianças de até 3 anos) | 40 minutos | Gratuito (retirada de senhas 30 minutos antes do início da apresentação). Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
FREDERICO PAULA JUNIOR
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