São Paulo acelera modernização fiscal e decreta o fim do SAT: como se preparar para 2026?
*Por Leonardo Gonçalves, Diretor de Relações Institucionais da Certisign e presidente da Associação Nacional de Certificação Digital (ANCD)
Divulgação - Certisign
A decisão da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (SEFAZ-SP) de oficializar o encerramento do Sistema Autenticador e Transmissor de Cupons Fiscais Eletrônicos (SAT-CF-e) não é apenas uma mudança normativa: é um movimento claro de modernização fiscal. Prevista na Portaria SRE nº 79/2024, essa transição sinaliza a intenção do estado de alinhar sua infraestrutura tributária aos padrões já consolidados no restante do país. E, como toda mudança estrutural, exige atenção imediata do varejo. O SAT tem data para acabar: poderá ser usado apenas até 31 de dezembro de 2025. A partir de 1º de janeiro de 2026, o único documento fiscal permitido no varejo paulista será a Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica (NFC-e, modelo 65).
Os sinais dessa transformação já são visíveis. Desde novembro de 2024, novas ativações de equipamentos SAT estão bloqueadas, uma limitação que só não vale para empresas já credenciadas e suas filiais. Negócios abertos após essa data precisam nascer digitais, utilizando exclusivamente a NFC-e. É um caminho sem volta. O SAT, lançado em 2015 como sucessor do ECF e pensado para trazer segurança via um equipamento dedicado, cumpriu sua missão. Mas, diante de demandas crescentes por flexibilidade e integração, tornou-se limitado em um ecossistema cada vez mais orientado pelo digital.
O fim do SAT, portanto, não deve ser visto como ruptura, mas como evolução. São Paulo se aproxima de um ambiente tributário mais ágil, transparente e eficiente, algo que beneficia tanto o fisco quanto empresas e consumidores. Com a NFC-e, o ciclo de emissão e fiscalização ganha velocidade, inteligência e capacidade de se adaptar ao varejo que opera em um ritmo muito mais dinâmico.
NFC-e: um documento fiscal à altura da economia digital
A Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica não representa apenas outro formato fiscal: ela simboliza o salto tecnológico que o varejo brasileiro vinha esperando. Diferentemente do SAT, dependente de hardware específico, a NFC-e é totalmente digital e opera online. Cada documento é transmitido diretamente à SEFAZ-SP e autorizado em poucos segundos. Essa jornada mais simples elimina intermediários, facilita integrações e permite emissão por diferentes dispositivos, como computadores, tablets e smartphones. Criando assim, um ambiente naturalmente escalável.
A experiência do consumidor também evolui. Em vez de papéis acumulando no caixa, o documento pode ser enviado por e-mail, acessado via QR Code ou compartilhado por aplicativos de mensagem. É o padrão fiscal de uma economia conectada.
A porta de entrada da migração: o certificado digital e-CNPJ A1
Se há um ponto que não pode ser ignorado nessa transição, é o uso do certificado digital e-CNPJ, modelo A1. Ele se torna uma peça fundamental, porque viabiliza a assinatura eletrônica da nota, garantindo a autenticidade e adicionando mais segurança e transparência no processo de emissão do documento fiscal.
A adoção da NFC-e vai além do cumprimento legal. Ela reduz custos operacionais, acelera processos, simplifica o armazenamento de documentos, amplia a flexibilidade e melhora a experiência do consumidor. Trata-se de modernização com impacto real na operação.
A recomendação do e-CNPJ A1 não é arbitrária: é fruto de décadas de experiência de outras aplicações que já usam o certificado e da leitura precisa das necessidades do varejo. A solução atende desde pequenos comércios até grandes redes, oferecendo segurança sem travar a rotina.
Com a implementação da NFC-e, São Paulo encerra um ciclo iniciado em 2014 e se conecta ao padrão dominante no Brasil. Mais do que um ajuste, essa mudança prepara os negócios para um cenário fiscal mais eficiente e verdadeiramente integrado.
O varejo paulista está diante de uma oportunidade: modernizar-se de forma definitiva e posicionar-se melhor para o futuro que já é presente.
*Leonardo Gonçalves é Diretor de Relações Institucionais da Certisign e presidente da Associação Nacional de Certificação Digital (ANCD).
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