Crescimento de energia solar no Brasil desperta interesse de M&A em empresas do setor

Para Fábio Vitola, CEO da Galapos, apesar dos juros estarem em patamares elevados, o mercado de energia consegue apresentar resiliência, gerado pela previsibilidade de receita dos ativos e demanda constante

Por LUCAS KOEHLER
8 5 Min

Crescimento de energia solar no Brasil desperta interesse de M&A em empresas do setor
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O crescimento da energia renovável tem colocado o Brasil entre os líderes mundiais neste tema. De acordo com dados do Balanço Energético Nacional (BEN) de 2025, as energias geradas pelo vento (eólica) e pelo sol (solar) representam 23,7% de participação na geração total de eletricidade do país. A publicação destaca que as fontes renováveis representam 88,2% do total, número superior à média mundial. Os bons números, inclusive, são responsáveis por aquecer o mercado de M&A no setor.

Em destaque está a geração distribuída, motivada pela lei 14.300/2022, que trouxe diversos benefícios aos geradores e consumidores desta modalidade. Para Fábio Vitola, CEO da Galapos, até o momento, já foram registrados três momentos de destaque nessa categoria: o primeiro foi o elevado volume de dívidas para financiar os projetos existentes, o segundo foi a transação de ativos pré-operacionais e recém conectados; e, finalmente, o que estamos vivendo no momento, a transação de ativos maduros e operacionais.

Conforme Fábio, a Galapos foi responsável por conduzir dois casos de M&A em Geração Distribuída. Entre eles, a empresa fez assessoria da MW Energias Renováveis na aquisição de projetos greenfield, junto da captação do Fundo Clima, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para a alavancagem dos projetos.

— Esse projeto foi realizado durante quase 20 meses. Ele contou com todas as etapas do desenvolvimento dos projetos, análises de planejamento e análise financeira constantes. Com a Galapos atuando como conselheira de todas as necessidades na estruturação do projeto, não somente na transação — explica.

Outro projeto de geração distribuída que se destacou foi a saída da Copel do setor de geração distribuída, junto da sua sócia Intertechne. O movimento foi assessorado pela Galapos e reforça o posicionamento da administração da Copel em focar no seu core business.

— O objetivo foi fazer uma saída racional dos ativos existentes, reciclando ativos e otimizando a alocação de capital dos acionistas. A presença da Galapos foi essencial para a estruturação e realização do roadshow junto a diversos players do setor que já mantemos relacionamentos. O processo foi relativamente rápido e percebemos que a alta demanda dos players por estes ativos continua — analisa.

Brasil se destaca em energia renovável

Historicamente, segundo Fábio Vitola, o Brasil sempre foi renovável. Para ele, o país terá grande oportunidade nos próximos anos com a instalação de data centers que estão sendo previstos.

— Nosso país possui energia barata, renovável e abundante, já foram iniciados os investimentos para viabilizar essa nova expansão, que provavelmente se tornarão transações em um curto período de tempo — destaca.

O CEO da Galapos avalia ainda que as transações seguirão resilientes, sendo necessário ter atenção à redução ou interrupção forçada da geração de energia elétrica, além de novos projetos regulatórios que estão tramitando no Congresso Nacional, para entender qual parte do setor será mais líquido.

— Seguiremos com uma atuação holística dentro do setor, seja ela em M&A ou dívida — finaliza.

Sobre a Galapos

A Galapos é uma empresa de consultoria financeira, parte do ecossistema XP, com atuação especializada em soluções em três verticais: M&A, gestão empresarial e consultoria em incentivos governamentais para inovação. Fundada em 2010 em Porto Alegre (RS), a empresa possui mais de 300 clientes ativos e já conduziu mais de 100 processos de M&A atuando com assessoria completa no sell side ou buy side em diversos segmentos. No campo dos incentivos fiscais, a Galapos é especialista no apoio a empresas que buscam linhas de financiamento como o FINEP e incentivos como a Lei do Bem e a Lei da Informática. Em 2025, pelo terceiro ano consecutivo, conquistou o selo GPTW.

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LUCAS FERNANDES KOEHLER
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