Do prejuízo invisível ao controle total: a corrida por segurança terceirizada ganha força

De condomínios a centros corporativos, tecnologia e protocolo passam a liderar decisões de contratação

Por STRENGER COREGE
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No início de 2026, a combinação entre pressão por eficiência operacional e reforço na prevenção patrimonial tem ampliado a procura de empresas por portaria terceirizada, segurança terceirizada e soluções de controle de acesso, movimento observado também em operações de médio porte e em unidades administrativas de indústrias, comércios e centros logísticos. O tema ganhou espaço na editoria de economia porque a decisão de contratação passou a ser tratada por gestores como medida de proteção e também de organização de custos fixos e variáveis.

O cenário econômico ajuda a explicar a mudança de comportamento. Dados divulgados em 23 de fevereiro de 2026 mostram que o mercado financeiro reduziu a projeção de inflação para 3,91% neste ano, enquanto a Selic segue em patamar elevado e a expectativa de crescimento do PIB em 2026 ficou em 1,82%, mantendo o ambiente de decisões mais criteriosas nas empresas. Ao mesmo tempo, o IBGE informou IPCA de 0,33% em janeiro e acumulado de 12 meses em 4,44%, o que mantém o foco corporativo na previsibilidade de despesas e redução de perdas.

Em entrevista para esta reportagem, Renan Rodrigues, CEO da Empresa de Portaria de Portaria em Suzano, Murin Sects, afirmou que a recomendação aos gestores é tratar a entrada de pessoas, veículos e prestadores como etapa crítica da operação. “A orientação é mapear horários de maior fluxo, definir níveis de autorização, registrar entregas e visitas em sistema e revisar rotinas de contingência. Quando a empresa organiza protocolo, equipe e tecnologia, o controle de acesso deixa de ser só recepção e passa a ser prevenção de risco e proteção de processo”, disse.

Na capital paulista, dados publicados pela Prefeitura de São Paulo em fevereiro de 2026 registraram queda de 14,6% nos roubos em geral em 2025, com 98.358 ocorrências, além de redução de 21% nos roubos de veículos no acumulado anual. Para consultores de operações e facilities, a redução de alguns indicadores não eliminou a necessidade de proteção na porta de entrada, mas reforçou a lógica de prevenção com protocolo, identificação e registro, sobretudo em empresas com circulação de terceiros.

Outro fator que influenciou as contratações foi o avanço das tecnologias de segurança. Em reportagem publicada em janeiro de 2026, o setor de segurança eletrônica apareceu com faturamento médio de R$14 bilhões em 2024 e crescimento de 16,1%, com uso de IA em 64,3% das soluções, segundo dados atribuídos ao Panorama ABESE. O dado tem sido usado pelo mercado para justificar projetos integrados entre vigilância, identificação e monitoramento em tempo real.

No segmento residencial e misto, a ABESE informou que a portaria remota já está presente em mais de 14 mil condomínios no país e apontou crescimento do reconhecimento facial e de recursos baseados em IA, em um movimento que impacta diretamente a portaria de condomínio e amplia a discussão sobre segurança para condomínios e controle de acesso em condomínios. Embora o foco desta demanda esteja em empresas contratantes, gestores corporativos têm observado práticas dos condomínios para adaptar rotinas de triagem, cadastro e autenticação em portarias empresariais.

A expansão do uso de biometria e reconhecimento facial também trouxe o tema da proteção de dados para o centro das decisões. A ANPD abriu, dentro da agenda regulatória 2025-2026, uma tomada de subsídios sobre tratamento de dados biométricos e destacou que o uso crescente dessas informações exige cuidados com base legal, governança, segurança e direitos dos titulares, o que afeta projetos de acesso em ambientes de trabalho e recepção corporativa.

Na prática, a leitura do mercado em 2026 é que portaria para empresas deixou de ser apenas serviço operacional e passou a integrar gestão de risco, compliance e eficiência, especialmente em unidades com alto fluxo de pessoas, mercadorias e prestadores. Nesse contexto, empresas têm buscado modelos que combinem triagem presencial, tecnologia e padronização de processos, enquanto observam experiências de segurança para condomínios para replicar mecanismos de identificação, rastreabilidade e resposta a incidentes no ambiente corporativo.


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