Cinco tendências globais que vão redefinir a gestão de pessoas em 2026
Estudo do Evermonte Institute aponta transformações-chave que exigirão liderança estratégica e capacidade de adaptação do RH
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A terceira edição do estudo People Trends 2026, conduzido pelo Evermonte Institute, revela cinco forças globais que estão redesenhando a maneira como as empresas lideram, desenvolvem e engajam pessoas. A partir de uma metanálise de 30 estudos internacionais, entrevistas com lideranças brasileiras e uma pesquisa com mais de 100 executivos de RH no país, o relatório traça um panorama claro: a gestão de pessoas vive uma transformação profunda. “As tendências identificadas mostram que não estamos apenas diante de ajustes pontuais, mas de deslocamentos estruturais”, afirma Felipe Ribeiro, sócio e cofundador da Evermonte. “O mundo está se reorganizando sob uma nova lógica de gestão de pessoas. De um lado, temos um processo quase natural de inserção da Inteligência Artificial ao cotidiano organizacional e, de outro, temos pessoas que, como nunca antes, estão ressignificando sua própria carreira a partir da experiência de trabalho, da busca por propósito e de conexões de longo prazo. Agora, as lideranças de Recursos Humanos precisam lidar com essa transformação sem perder a essência de suas companhias”, ressalta.
Consolidação da Inteligência Artificial A primeira tendência é a incorporação definitiva da IA no coração dos processos organizacionais. Estima-se que até o final de 2026, mais da metade das empresas terão a tecnologia integrada às operações centrais. No Brasil, 37,3% das lideranças de RH já a consideram prioridade, com destaque para a área de People Analytics como a mais suscetível a transformações. “Os ganhos de produtividade são reais, especialmente entre profissionais menos experientes, mas os riscos aumentam quando não há critérios claros de governança”, alerta Felipe. Ascensão da economia das competências A segunda tendência é a migração – ainda gradual, mas consistente – de um desenho centrado em cargos para um desenho centrado em competências e mobilidade interna. Em vez de tratar a estrutura como uma “caixa” fixa, as organizações passam a tratar as competências como unidades recombináveis: formar times por projeto, realocar pessoas com rapidez e preencher lacunas críticas sem depender, sempre, de uma contratação externa. “Vivemos uma transição silenciosa, na qual a flexibilidade para mobilizar repertórios se sobrepõe à rigidez estrutural”, explica Ribeiro. No Brasil, essa mudança ganha tração por um motivo muito pragmático: liderança e sucessão aparecem como a principal prioridade da área de Pessoas para 2026 (65,3%). Em outras palavras, a discussão deixou de ser apenas sobre atrair talentos “prontos” e passou a ser sobre fortalecer o que já existe dentro de casa: identificar competências que vão sustentar o próximo ciclo, criar experiências reais de desenvolvimento (projetos, rotações, desafios com exposição) e construir um pipeline real de sucessores. É um movimento de dentro para fora: menos dependência do organograma e mais disciplina para a formação de líderes. Centralidade da experiência de trabalho Engajamento, bem-estar e desenho da jornada dos colaboradores passam a ser elementos-chave para o desempenho organizacional – não apenas para retenção. No Reino Unido, 44% das empresas já priorizam o bem-estar em suas estratégias de Pessoas. Inclusive, no Brasil, 57,3% dos respondentes dizem que o fortalecimento da cultura organizacional será uma prioridade neste ano. Apesar disso, o estudo aponta um descompasso entre intenção e prática. “A cultura é valorizada nos discursos, mas raramente se traduz em ações efetivas de longo prazo. Essa lacuna compromete a confiança e aumenta o risco de ruptura no contrato psicológico com os colaboradores”, alerta Ribeiro. Investimentos em equilíbrio e conexões de longo prazo A análise de avaliações de funcionários em plataformas com forte concentração nos mercados norte-americano e europeu mostra um avanço expressivo: entre 2024 e 2025, a frequência de termos associados a desalinhamento com a liderança cresceu 149%. O dado é mais do que um alerta de clima – ele aponta uma deterioração do “contrato cotidiano” entre líderes e times: expectativas não combinadas, decisões pouco explicadas, prioridades que mudam sem critérios claros e uma percepção de distância entre discurso e prática. Em paralelo, esse movimento reforça uma demanda crescente por relações de trabalho mais saudáveis e sustentáveis. Não por acaso, engajamento e retenção aparecem entre as cinco maiores prioridades de RH para 2026. A combinação dos dois sinais sugere um deslocamento importante: reter talentos não será apenas uma questão de benefícios, marca empregadora ou iniciativas pontuais, mas de consistência gerencial no dia a dia. Em 2026, a disputa por permanência tende a acontecer menos no “pacote” e mais na liderança: clareza de direção, qualidade de feedback, justiça percebida e capacidade de sustentar conversas difíceis sem desgaste crônico. Novo mosaico de vínculos e carreiras A quinta tendência global elencada pelo Evermonte Institute aponta que as carreiras estão se tornando cada vez menos lineares. Mudanças frequentes de função, projetos paralelos e vínculos alternativos são vistos hoje como estratégias de desenvolvimento, e não como rupturas. Isso exige do RH a habilidade de sustentar o senso de pertencimento mesmo em estruturas híbridas e dinâmicas. “Hoje, a ideia de carreira está muito mais associada à capacidade de reinvenção do que à permanência em um cargo fixo”, observa Ribeiro. O estudo conclui que, diante dessas cinco tendências, as lideranças de RH precisarão atuar com visão estratégica, agilidade e ainda mais protagonismo. Sobre o Evermonte Institute Idealizado pela Evermonte Executive & Board Search, o Evermonte Institute é dedicado à produção de pesquisas avançadas e soluções corporativas, aliando people analytics e market data a uma visão estratégica de mercado. Seu objetivo é apoiar a tomada de decisões e o desenvolvimento de práticas organizacionais voltadas à governança e ao crescimento sustentável. Sobre a Evermonte Executive & Board Search Referência em recrutamento executivo, a Evermonte tem como propósito impulsionar a governança corporativa por meio da identificação de lideranças estratégicas e conselheiros. Com escritórios em Porto Alegre, São Paulo, Curitiba e Joinville, atua com uma equipe de headhunters especialistas com ampla vivência nas áreas em que operam. A empresa adota uma metodologia própria, que integra Inteligência Artificial, people analytics e avaliação cognitiva, garantindo decisões assertivas e resultados de alto impacto. A Evermonte conduz projetos de alta complexidade em todo o Brasil e América Latina, recrutando profissionais para posições de gerência sênior, diretoria executiva, C-Level e conselhos. Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
MARIANA CORSETTI OSELAME
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