5 hábitos de comunicação que separam empresas saudáveis de empresas em crise

De soft skill a diferencial competitivo, como priorizar o investimento no desenvolvimento das pessoas (porque sim, elas são o diferencial)

Por FLY EDUCAçãO
4 7 Min

Cecília Seabra

A falta de clareza nos fluxos de informação já custa bilhões ao mercado brasileiro. Segundo a McKinsey, uma empresa de médio porte - em um país onde micro e pequenas empresas são 99% dos estabelecimentos e concentram 52% dos empregos formais no setor privado, segundo o Sebrae - pode perder em média R$ 12,5 milhões por ano com falhas nesse campo. Ainda assim, muitas organizações seguem tratando a comunicação como área de apoio ao negócio, ou então uma soft skill,  quando, na prática, esse segue como fator crítico de engajamento, reputação e retenção de talentos. Estudos recentes confirmam a urgência. A Deloitte mostra que 68% dos colaboradores consideram a comunicação interna determinante para o engajamento e permanência. Enquanto dados da Asana revelam que profissionais brasileiros gastam 60% da jornada em tarefas secundárias – como reuniões e e-mails – e apenas 9% em atividades estratégicas.  Em um cenário que dados da Gallup revelam que 28% do tempo das equipes é desperdiçado com trocas ineficientes, 57% das reuniões são consideradas improdutivas e 3,5 horas por dia são perdidas apenas na busca por informações, Cecília Seabra, consultora e pesquisadora em comunicação, influência e impacto, aponta para o quanto a falta de coerência entre a marca e a estratégia de negócios, expressa pelos impactos da cultura da organização evidenciados na experiência das pessoas (que trabalham e convivem com o dia a dia do negócio em diferentes papéis) corrói oportunidades e a performance que toda organização busca aumentar.  “As dissonâncias entre o walk e o talk, ou seja, entre discurso e ação, são corrosivas, comprometem a confiança e aumentam a vulnerabilidade das equipes, indo contra o aumento das barras regulatórias, como a NR1”, afirma. Para transformar este cenário e posicionar a comunicação como um diferencial estratégico,  existem  caminhos para priorizar transformações: 1. Liderança que inspira confiança
Mais do que dar respostas, líderes precisam reposicionar seus papéis para se permitirem exercitar a vulnerabilidade dentro de seus campos individuais de conforto, proporcionando terreno fértil para  escuta, segurança psicológica e diálogos. Nesse sentido, a comunicação é elo. Liderança é comunicação e vice-versa. Clareza e consistência entre quem somos e como nos mostramos permite que colaboradores se sintam confortáveis para dialogar e errar.  “Liderar com respeito envolve assumir responsabilidade ativa (accountability) não apenas pelas demandas do cargo, mas também pelas relações. A qualidade das interações diárias impacta diretamente o bem-estar das equipes”, explica Cecília. 2. Elemento central de todos os processos
Sem intencionalidade para clareza e assertividade, até os profissionais mais qualificados  irão falhar. Passamos de 50 a 60% do tempo no trabalho nos comunicando, independente do cargo, da área de atuação ou função. Quando mal conduzidas, essas interações viram fonte de retrabalho e desperdício.  “A comunicação assertiva não é natural da comunicação humana, sendo um objetivo a ser perseguido no ambiente de trabalho para garantir que a outra pessoa tenha todas as informações necessárias para entender e agir na direção necessária”, recomenda. 3. Ferramenta para moldar reputação
Tudo comunica e pode ser ruído, se não há planejamento. Cada gesto, decisão ou silêncio molda a percepção que públicos internos e externos têm de uma organização. A reputação não se limita a campanhas, é construída diariamente pelas escolhas e pela coerência entre discurso e prática, que está nos campos de autonomia das pessoas. Por isso, deve ser co-construída, não se restringindo a departamentos específicos.  “A dimensão da responsabilidade é comunicada no fazer, no exercício de tomada de decisão que expõe quem é a marca como rosto da estratégia de negócios”, pontua Cecília. 4. Diferencial na era da IA
Na era da inteligência artificial, a humanização das relações se tornou um diferencial competitivo. O excesso de tecnologia, quando não acompanhado de relações humanas sólidas o suficiente para gerar conexão,  enfraquece a capacidade de dialogar, nomear emoções, demonstrar vulnerabilidade, respeito, conexão humana. Em contraste, organizações que priorizam relações transparentes e éticas colhem maior engajamento e retém mais talentos como consequência, e não objetivo final. “Não existe transformação cultural sem pessoas que estejam dispostas a criar ambientes melhores do que aqueles que encontraram. Propósito, experiência e conexão com projeto de vida, carreira, dentre outros aspectos pesam tanto quanto salário na decisão de permanecer, por isso, a comunicação é essencial para estabelecer conexões genuínas”, destaca a especialista. 5. Voz que traduz visão estratégica e inovação
Transformar visão em prática depende da clareza com que a estratégia chega à ponta. O diálogo organizacional, traduzido em todas as camadas hierárquicas com significado e valor para as pessoas, é ferramenta para ampliar a visão sistêmica, dar sentido às mudanças e sustentar comportamentos protagonistas. “Em um mundo de transformações aceleradas, posicionamentos purpose-first precisam de operações purpose-first, que por sua vez requerem estratégias purpose-first. Nada disso se sustenta sem interações consistentes e coerentes”, conclui Cecília.

Sobre Cecília Seabra
Cecília é jornalista, mestre em Comunicação (UERJ) e especialista em Economia e Gestão da Sustentabilidade (UFRJ). Atua há mais de 30 anos com transformação organizacional e estratégia de comunicação, tendo trabalhado com mais de 200 organizações e escutado mais de 7 mil pessoas em seus projetos. É conselheira consultiva em ESG, professora, pesquisadora, consultora e mentora de mulheres e pessoas LGBTQIAPN+. É Top Voice pelo LinkedIn Brasil e eleita entre as 10 pessoas mais influentes em ESG pela plataforma Favikon. Além disso, é jurada do Prêmio Jatobá por três anos consecutivos.


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FONTE: Hadassa Nunes