Intervenção precoce: quando agir cedo faz toda a diferença no desenvolvimento infantil

Neuropsicopedagoga relata a própria experiência com a filha e reforça que o início rápido das terapias é mais importante do que esperar por um diagnóstico fechado

Por JúLIA BOZZETTO
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Intervenção precoce: quando agir cedo faz toda a diferença no desenvolvimento infantil
Raphael Barros

O desenvolvimento infantil não segue uma única linha e, por isso, observar e agir diante de atrasos, mesmo sem um diagnóstico fechado, pode ser decisivo. Essa é a visão da neuropsicopedagoga Silvia Kelly Bosi, CEO da Potência – Clínica de Desenvolvimento Infantil, que viveu na prática a importância da intervenção precoce com a própria filha.

Silvia percebeu os primeiros sinais de atraso no desenvolvimento de Valentina quando a menina tinha apenas 1 ano e 5 meses. A coordenação motora ainda não havia se desenvolvido, o contato visual era instável e algumas dificuldades de interação começaram a chamar atenção. Sem esperar por um diagnóstico definitivo, Silvia iniciou imediatamente um processo de estimulação e acompanhamento com profissionais de diferentes áreas.

“A intervenção começou antes de termos uma resposta formal. A prioridade era garantir que a Valentina tivesse estímulos adequados no tempo certo para ampliar seu potencial de desenvolvimento”, explica.

O diagnóstico de autismo veio meses depois, aos 2 anos de idade, com indicação de nível de suporte 1. A essa altura, Valentina já apresentava ganhos importantes de comunicação e socialização. Hoje, aos 7 anos, ela é alfabetizada, frequenta aulas de inglês, tem boa interação com colegas e adultos, e mantém uma rotina escolar regular. Embora ainda tenha algumas características atípicas, o comportamento é funcional e adaptado.

“A decisão de intervir cedo fez toda a diferença. O diagnóstico foi importante para orientar o caminho, mas ele não foi o ponto de partida. O ponto de partida foi a escuta ativa, a observação e a ação imediata”, afirma Silvia.

Segundo a neuropsicopedagoga, o ideal é que os pais estejam atentos aos marcos do desenvolvimento infantil e, ao notar qualquer sinal de atraso – seja na fala, no brincar, na atenção ou na socialização –, busquem uma avaliação multidisciplinar. O foco, segundo ela, deve estar no progresso da criança e não apenas na espera de um laudo.

“Intervir cedo não significa rotular. Significa oferecer recursos para que a criança se desenvolva com mais autonomia e qualidade. Quanto mais cedo estimulamos as habilidades, maiores são as chances de reduzir impactos no futuro”, completa.

A intervenção precoce é hoje considerada uma das estratégias mais eficazes na área do desenvolvimento infantil, com benefícios observados tanto em crianças com diagnósticos confirmados quanto naquelas que apenas apresentam sinais de alerta. Para Silvia, o acompanhamento contínuo e individualizado é a chave para que cada criança avance dentro das suas possibilidades.


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JÚLIA KLAUS BOZZETTO
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