O Papel da Nutrição na Reabilitação de Pacientes

Artigo elaborado por Mariana Oliveira de Assis Exel*

Por ALESSANDRA SIEGEL
1 6 Min

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A nutrição desempenha papel essencial na recuperação funcional de pacientes submetidos a processos de reabilitação física e clínica. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), especificamente da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2017-2018) e da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2019), condições como desnutrição, excesso de peso e insegurança alimentar interferem significativamente nos resultados da reabilitação. A integração de estratégias nutricionais individualizadas é essencial para otimizar a recuperação e reduzir complicações.
A reabilitação é um componente essencial na recuperação de pacientes acometidos por lesões, doenças crônicas ou após procedimentos cirúrgicos. Entretanto, o sucesso do processo reabilitacional está diretamente ligado ao estado nutricional do paciente. A má nutrição – seja por deficiência ou excesso – afeta negativamente a cicatrização, força muscular e disposição geral.
De acordo com o IBGE, o Brasil vive atualmente uma transição nutricional, com o aumento simultâneo da obesidade e da insegurança alimentar, criando um cenário desafiador para a saúde pública e os programas de reabilitação.
Dados do IBGE
  • Excesso de peso: presente em 55,4% dos adultos brasileiros (POF 2017–2018);
  • Obesidade: acomete 19,8% da população;
  • Insegurança alimentar: atinge 36,7% dos domicílios brasileiros (2020);
  • Desnutrição hospitalar: prevalência estimada entre 30% e 50% dos pacientes internados.
Impactos na Reabilitação
  • Pacientes desnutridos apresentam menor resposta à fisioterapia e maior incidência de infecções;
  • Obesos enfrentam maior dificuldade de mobilidade e maior risco de complicações ortopédicas;
  • A má nutrição retarda a cicatrização, reduz a força muscular e prolonga o tempo de internação.
Os dados acima evidenciam um cenário de risco nutricional que afeta diretamente a eficácia dos programas de reabilitação. A desnutrição reduz significativamente os ganhos funcionais de terapias físicas e ocupacionais. Por outro lado, o excesso de peso sobrecarrega articulações e dificulta a progressão da reabilitação. Artigos científicos publicados na Revista Brasileira de Nutrição Clínica e no Jornal Brasileiro de Reabilitação reforçam que o suporte nutricional adequado acelera a recuperação, reduz internações e melhora a qualidade de vida.
A atuação do nutricionista dentro das equipes multiprofissionais é imprescindível. Estratégias como avaliação nutricional precoce, suplementação individualizada e educação alimentar são essenciais para a adesão e sucesso do tratamento.
O nutricionista tem papel central, avaliando o estado nutricional individual por meio de histórico clínico, exames, hábitos alimentares e dados antropométricos (medidas do corpo humano, como peso, altura, circunferências e dobras cutâneas). A partir dessa avaliação, é elaborado um plano alimentar personalizado, que inclui prescrição dietoterápica em conjunto com a equipe multiprofissional.
Durante a internação, o nutricionista acompanha diariamente a evolução do estado nutricional e a aceitação alimentar, ajustando o plano conforme necessário. Estratégias de gastronomia são utilizadas para tornar a alimentação mais prazerosa, ajudando também no bem-estar emocional.
Além disso, a suplementação individualizada é importante para fornecer os nutrientes certos à regeneração de tecidos, músculos e órgãos, favorecendo a recuperação de funções físicas e cognitivas. Em resumo, a intervenção nutricional adequada e integrada com a equipe multiprofissional é fundamental para acelerar a recuperação, evitar complicações e garantir melhor qualidade de vida ao paciente em reabilitação.
Caso real: Paciente idoso pós-AVC
  • Perfil: homem, 82 anos, 1,70 m e peso de 38 kg (desnutrição grau III), pós-AVC, com infecção urinária requerendo gastrostomia.
  • Motivo do tratamento: desnutrição extrema, infecção persistente e falha de ingestão por via oral.
  • Tratamento nutricional: nutrição enteral hiperproteica com 1,5 cal/ml,
  • Desfecho: após 11 meses, peso de 56 kg (ganho de 18 kg), melhora da composição corporal, incluindo recuperação da ingestão oral. Atualmente, com 62 kg, hidratado, com composição corporal adequada e capaz de caminhar e se alimentar normalmente.

O estado nutricional é um fator determinante na resposta clínica de pacientes em reabilitação. A análise dos dados do IBGE evidencia a necessidade de ações de saúde pública que promovam o acesso à alimentação saudável e à avaliação nutricional qualificada. A inclusão da nutrição como parte integrante do processo reabilitacional é fundamental para garantir melhores desfechos funcionais e maior qualidade de vida aos pacientes. A nutrição não é apenas complementar: ela refaz o alicerce da reabilitação, promovendo resiliência física, melhor recuperação funcional e qualidade de vida.
* Mariana Oliveira de Assis Exel é Nutricionista da YUNA, instituição especializada em reabilitação e cuidados paliativos.  

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